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Tour Pequena África no Rio de Janeiro

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Fui convidada pela Sou+Carioca para conhecer o Tour Pequena África no Rio de Janeiro. Um passeio pela história do Brasil em lugares que não costumam aparecer nos guias de viagem do Rio.

Achei uma ótima oportunidade para conhecer um lado B do Rio de Janeiro. Como carioca nunca tinha visitado! Tinha passado centenas de vezes, mas jamais parado para olhar, observar e, principalmente, entender a sua história. Seja porque a Pequena África não faz parte da região dos cartões-postais seja por medo da violência.

Um medo injustificado aqui. Achei a região segura e fazendo o passeio com o guia a sensação de proteção é ainda maior, já que guiada por caminhos “confiáveis”. Vá sem medo e se divirta!

Agora vem comigo que vou contar como foi! Veja o vídeo e depois leia o texto 🙂

Um pouco sobre a Sou+Carioca

Antes de falar sobre o passeio acho importante explicar um pouco sobre a Sou+Carioca, porque tem muito a ver com esse tour em específico.

A Sou+Carioca é uma empresa de roteiros guiados pelo Rio de Janeiro que visa apresentar lugares novos (e às vezes até desconhecidos dos próprios cariocas).

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Gabriela Palma, uma das sócias que foi a guia do nosso passeio.

Um empresa fundada em 2015 por três mulheres negras e empreendedoras, que hoje conta com mais de 150 roteiros diferentes pelo Rio, em sua maioria walking tours pelos quatro cantos da cidade (todos com guia de turismo devidamente credenciado).

Assim, o tour Pequena África é uma celebração das raízes das fundadoras da Sou+Carioca e de preservação da história da cultura afro-brasileira.

O Tour Pequena África no Rio de Janeiro

O passeio tem como ponto de partida o MAR – Museu de Arte do Rio na Praça Mauá. Chegamos todos às 10h para começar o walking tour.

1a parada: Morro da Conceição

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Uma das ruas do Morro da Conceição.

A primeira parada do passeio é o Morro da Conceição, um marco da ocupação inicial do Rio de Janeiro pelos portugueses. Naquela época era chique morar no morro.

É um canto do Rio que parece ter parado no tempo. Casas antigas, crianças correndo pelas ruas, pessoas sentadas na calçada conversando…

Além de passear pelas ruas, paramos na Igreja de São Francisco da Prainha, fundada em 1696. A igrejinha foi reconstruída várias vezes ao longo dos séculos, uma delas após a invasão francesa. Os portugueses, para expulsar os invasores, atearam fogo nela e na região do seu entorno. A igreja então ficou 30 anos destruída…

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A igrejinha.

A última restauração ocorreu em 2015, em meio ao projeto do Porto Maravilha. Infelizmente não estava aberta para conhecer seu interior.

2a parada: Largo da Prainha

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Street art no caminho.

Seguimos nosso tour Pequena África no Rio de Janeiro até o Largo da Prainha. O nome do lugar é porque antigamente o mar chegava até lá, antes da região ser aterrada.

Os casarios do largo são históricos, muitos onde funcionavam os zungus, casas coletivas onde moravam os negros.

Ex-escravos do Rio de Janeiro e de outros estados (em especial da Bahia) fixaram residência na região para ficar na capital do Brasil e na região portuária, onde havia emprego. Po isso o nome do local de Pequena África.

Um forte simbolismo é a estátua desse largo. A retratada é Mercedes Batista, a primeira bailarina negra do Teatro Municipal. Ela deixou a companhia para uma temporada nos Estados Unidos. Lá, se reencontrou com suas raízes africanas, e ao voltar fundou a primeira Escola de Dança Afro-Brasileira. Também inovou ao criar a ala coreografada em escola de samba. Junto com o carnavalesco Fernando Pamplona fez história no Salgueiro e em todo o carnaval carioca (desculpa Paulo Barros, foi ela quem criou a ala coreografada).

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Estátua de Mercedes Batista

Aqui fizemos uma parada na A Casa do Nando (@acasadonando), um restaurante de comida afro-brasileira (pratos a R$ 20,00!!) e música ao vivo (samba da melhor qualidade, claro!). O pit stop aqui foi só para sentar um pouquinho e aprender um pouco mais sobre a história carioca. Não é um parada regular no passeio.

3a parada: Pedra do Sal

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Pedra dos Sal

Lugar com uma das rodas de samba mais badaladas do Rio (toda segunda-feira) possui uma história de resistência da cultura afro.

Aqui o samba resistiu, quando era proibido até o início do século XX. Tia Ciata, que é homenageada nos grafites, viveu na região. Ela foi uma grande responsável por essa resistência e o primeiro samba gravado (“Pelo Telefone”) nasceu por aqui.

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Outra street ar! Agora na Pedral do Sal.

No Carnaval Experience na Cidade do Samba temos uma parte que aprendemos sobre o samba carioca e Tia Ciata e a Pequena África são grandes personagens dessa história.

A resistência cultural não se limitou ao samba, mas também à religião e a outras manifestações culturais.

Curiosidade: o local se chama Pedra do Sal porque o mar chegava até essa pedra e ali o sal descarregado pelas embarcações era usado como moeda de troca.

Veja também:

4a parada: Jardim Suspenso do Valongo

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A estátua mostra tod a sia influência europeia.

Um lugar que eu nunca imaginei que existisse no Rio de Janeiro. Sério! Passei tantas vezes pela região e sequer o tinha notado.

O Jardim Suspenso do Valongo foi criado em 1906 pelo prefeito Pereira Passos, responsável por grandes obras de transformação da capital do Brasil no início do século XX.

paisagismo do jardim suspenso do valongo
Um pouco do paisagismo.

Como ele gostava do estilo europeu, todo o estilo e paisagismo do jardim é francês.

O jardim é uma área de lazer e um mirante, com vista para o Centro da cidade. A vista não é atrativa, mas o jardim é bem agradável. Foi uma grata surpresa.

5a parada: Cais do Valongo

Patrimônio Histórico da UNESCO, ganhou esse título por ser o único registro material da chegada dos africanos escravizados nas Américas. Cerca de 900 mil chegaram ao Brasil pelo Cais do Valongo.

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Cais do Valongo.

A importância do Cais do Valongo é recordar esse triste período da história, da dor e da sobrevivência dos afro-brasileiros.

Aqui foi o momento mais emocionante, de debate e reflexão do passeio, quando se expôs as condições de como os africanos chegavam, o que acontecia após e os hábitos da época.

6a parada: Mural do Kobra

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O mural do Kobra do Boulevard Olímpico.

Aqui termina o passeio, no Mural Etnias do Kobra, uma das estrela do nosso roteiro pelo Boulevard Olímpico. Uma ótima pedida para complementar o tour.

Achei sintomático terminarmos a caminhada aqui. Em uma pintura que retrata os povos dos 5 continentes, que representa o espírito olímpico de união e celebração. Após um tour onde tanto se falou de tristeza, violação de direitos humanos e resistência, encerrar aqui foi como um sopro de esperança.

Sim, o ser humano pode evoluir e ser melhor. Bem melhor.

Outras dicas para curtir o tour Pequena África no Rio de Janeiro

  • o passeio é uma visão crítica da história brasileira, tenha isso em mente. Você irá ouvir alguns fatos que não aprendemos na escola.
  • leve água para se hidratar.
  • se estiver sol, não esqueça de usar filtro solar e chapéu para se proteger.
  • use sapatos confortáveis, de preferência tênis.
  • não esqueça da máquina fotográfica ou celular. Como disse, a região é segura e rende boas fotos.

……………………..

Fiz o passeio a convite da Sou+Carioca. Todas as opiniões aqui são exclusivamente minhas, sem qualquer influência.

Veja os valores e a programação dos passeios guiados da Sou+Carioca:

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Espero que tenha gostado da dica do Tour Pequena África no Rio de Janeiro. Deixe seu comentário.

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Post Autor
Lulu Freitas
Carioca que ama viajar. Meu lema: "Vivo para viajar. Viajo para viver". Compartilho aqui minhas experiências de viagens pelo mundo, com dicas sobre tudo o que conheci e adorei.

comentários

12 comentários
  1. postado por
    Carol
    maio 9, 2019 Reply

    Acredita que mesmo sendo carioca nunca fiz esse passeio?rs Vou ter que resolver isso! Dicas já anotadas!

    • postado por
      Lulu Freitas
      maio 9, 2019 Reply

      Depois me diz o que achou. bjs

  2. postado por
    Marcela
    maio 9, 2019 Reply

    Que roteiro maravilhoso! E que lindo esse projeto. Conheço a maior parte dos lugares, mas não sabia tanto da história. Adorei o tour pequena África, vou recomendar para amigos que vierem ao Rio

    • postado por
      Lulu Freitas
      maio 9, 2019 Reply

      Oi Marcela, também aprendi muito. bjs

  3. postado por
    Luciana de Campos
    maio 7, 2019 Reply

    Que lindo! Que passeio maravilhoso, amei e já me animei em voltar ao Rio de Janeiro pra conhecer esse tour Pequena África. Demais!

    • postado por
      Lulu Freitas
      maio 7, 2019 Reply

      Oi Luciana, que bom que gostou da dica! bjs

  4. postado por
    Bruna
    maio 7, 2019 Reply

    Eu estou louca para fazer esse tour Pequena África! Já deixei tudo anotado para a próxima visita ao Rio!

    • postado por
      Lulu Freitas
      maio 7, 2019 Reply

      Oi Bruna, que legal! bjs

  5. postado por
    Natalia Itabayana
    maio 7, 2019 Reply

    É sempre bom quando nos surpreendemos com lugares novos na cidade onde moramos, né? Achei esse tour pela Pequena África no Rio de Janeiro simplesmente sensacional, e me deu muita vontade de fazer, redescobrir a história do Brasil e conhecer um pouco mais do Rio.

    • postado por
      Lulu Freitas
      maio 7, 2019 Reply

      Olá Natália, fico feliz que gostou da dica. bjs

  6. postado por
    Analuiza Carvalho
    maio 6, 2019 Reply

    Estou completamente apaixonada por este tour!! Definitivamente o tipo de informação que me interessa, que me atualiza, que me faz entender melhor o presente por conta de seus contextos históricos. E os lugares são a cara, o jeito, a essência do Rio!!! Anotadíssimo na agenda porque quero fazer!!! Excelente dica! 🙂 bjokas

    • postado por
      Lulu Freitas
      maio 7, 2019 Reply

      Eba!! bjs

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